segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Lembranças. [Campanha Local]



- És um guarda do local? - Perguntou Aesgtu asperamente, esperando uma resposta brusca e cheia de raiva a sua provocação. Mas nessa ocasião viera a se surpreender, seu plano de furtar a maior quantia lhe foi frustada. Seu interlocutor se pois a beber sobriamente e descansado.

- Não, não sou guarda local. Porque a questão? Queres ser da guarda? Queres verter sangue? - Retrucou  Kese lentamente, suas lâminas estavam prontas e foram polidas pela manhã. Era afinal Redspan inimiga de Iuz ou não? Sim, ele estava sempre pronto, isso lhe cansava. Essa prontidão quase infinita, consigo mesmo cogitava resolver a questão. Queria revidar e não esperar nas paliçadas, trincheiras ou que fosse como os milicianos. 

- Tu é filho duma porca! É claro que não quero isso! - exaltou-se e se envergonhou Aesgtu. Irritou-se ainda mais com isso e exigiu algo que não tinha, honra. - Levante-se e saque sua lâmina! Ha Ha Ha Suba numa cadeira e teremos luta justa! - Aumentando a voz e tentou provocar.

Prontamente Kese disparou duas lâminas que fincaram certeiramente nos dedões de Aesgtu, que lagrimas verteu antes de cair sentado segurando os pés feito um bebê a balançar. A taverna se encheu de risos, e os guardas que viram o desastrado provocador Aesgtu se dar mal se sentaram novamente a suas atividades. O Taverneiro irritou-se um pouco com Kese, muito mais que com Aesgtu, afinal ele tinha sujado a taverna, novamente. Mas em velho reconhecimento lhe repôs a cerveja, e as lâminas que retirou com força do pé do desastrado trombadinha e provocador. Kese, agradeceu a seu modo, não estava a fim de levantar mesmo, queria aproveitar um pouco seus pensamentos tumultuosos. Se é que se aproveitasse alguma coisa.

- Até a próxima! - Acenou Kese ao taverneiro e pôs o pagamento a mesa. Pôs sua mochila em ordem e arrastou Aesgtu para fora, se esforço aparente. Arremessou para a rua. Uma tropa estava marchando ao longe. - Seu cabeça de vento! Queres morrer, vá lá e encare o inimigo ao menos, faça como muitos outros que tem valor ao menos em combate. Lá poderia ter a honra de lavar suas armas e fazer a refeições -. Sacando uma lâmina apontou para Aesgtu e acrescentou: - Vê essa lâmina? Não é para você! Se a queres se junte a horda de Iuz! E ela fará seu trabalho prontamente -. 

Aproximou a lâmina aos olhos de Aesgtu.

- Você não sabe o que é miséria! Você é mimado com esmolas e roubos! Quando você encarar o inimigo ai você poderá falar algo.

...

Aesgtu não virá Kese por muitos anos, mas lembrava-se de cada palavra. Virá verdades e coisas que não queria mais para os seus. Zelava firmemente de seu posto, sua armadura já não lhe era mais incomoda a muitos verões. Lembrava-se de cada palavra. Coçava as velhas cicatrizes em seus dedões, havia outras, mas essas sempre lhe incomodava e o fazia lembrar. Ele tinha agora seu caminho, trilhara o caminho da honra, cumprirá missões, tinha seu escudeiro. Todo Cavaleiro da Guarda de Honra tinha. Ele sentia o olhar as vezes, e se lembrava.